29 de março de 2014

Conversas recreativas e inquebrantáveis - Messias

Sabe quando a você acorda no meio da noite com uma vontade de assaltar a geladeira? O Messias não sabe, pois é dono de um sono pesado e reparador. Como assíduo frequentador do Clube de Desporto Amaral Veiga Albuquerque (o qual já teve o privilégio de presidir em mais de uma ocasião, duas desastrosas e uma não) sempre praticou esportes de alto impacto sob visível demonstração de entusiasmo. Mal compreendido, assombroso, egocêntrico, nasal, estapafúrdio, campeão inter-bairros de chá-chá-chá, Messias vai compartilhar aqui um pouco do que sua modéstia memória permitir.

Primeiramente, quero parabenizá-lo pela obra magnífica que o senhor doou para a prefeitura. Uma atitude para fazer qualquer marmanjo umedecer os olhos.
Eu não doei nada para a prefeitura. E o que umedece os olhos é colírio, só isso. Um abraço para a minha oculista.

OK, mas o senhor afinal participou ou não da solenidade na última sexta-feira?
Veja bem, desde a infância eu me recordo de um passeio, na estrada, com meus avós. É nítido. Um rapaz se aproximou da gente e começou a contar que a família era toda doente, passava fome no interior e que ele precisava comprar medicamentos, etc. O cara estava até bem vestido, sabe? Mas, meu avô, se achando Deus, dispensou-o bravamente sem nada lhe dar, além de um safanão.

Defina "se achando Deus". Desculpe-me pela ignorância, mas é bem interessante refletir sobre isso.
Autoritário, bonzão... A gente é uma espécie de "Lego" dele. Entendeu?

"Lego dele"? Messias, o senhor está afirmando que Deus existe e passa o tempo montando Lego?
Eu existo, assim como meus pais, embora velhinhos. Meus avós já existiram... O Lego serve de analogia. Poderia usar outro exemplo qualquer. Sei lá... Você assistia o Ultraseven? 

Preferia o Spectreman. Mas voltando o assunto e seguindo a sua linha familiar de raciocínio, se Deus existe, logo os pais dele são?
Ateus.

Ateus?
Sim, ateus.

Faz sentido. E os avós?
Aí você já está de brincadeira comigo!

Estou sim (risos). Por que só o senhor pode brincar aqui? Por que o preconceito com velhinhos?

(Nesse momento Messias levantou, interrompendo a entrevista, caminhou até a porta de saída do estúdio, onde tocou a campainha solicitando a abertura. Após a identificação, a porta abriu e ele sumiu, deixando seu casaco e uma garrafa térmica).

Um comentário:

Alexandre Marques disse...

sempre quis compartilhar com o papricantis um texto de minha autoria, apesar dos pesares e de uma tendinite crônica quue contraí numa visita a São José das Letras em 1984. Aí está o modesto texto:

A apliacação de termos do dialeto ameríndio na sociedade atual, mas sem levar em consideração a importância desses dermos para as sociedades apaches latino americanas ainda não descobertas pela antropologia ou pelo google:

Um dos questionamentos menos importantes na sociedade atual é o sentido preciso e a importância sintática do termo indígena “curumim”. Premissa quiçá sabida pela população tupiniquim, remanescente nos mieos sociais dos dias de hoje, é que “curumin” assim como “uturú-quimoraê” e “quim-quim-tum-tum” não possuem nenhuma relação com a palavra “kankuna”, que naverdade tem origem andina e trás pro contexto da discussão não mais que a possibilidade de generalizar a cultura indígena-apache-kétchua como sendo essencialmente ameríndia e não apenas latino americana. A aplicação dos termos indígenas-apache-kétchua, ou ameríndios, aparecem com sentido reverso ao proposto pelos pajés e lideres tribais dos séculos anteriores ao XV na amazônia, até então não brasileira, e nos desertos andinos e texanos, que até então não eram texanos ou andinos. Para melhor compreender o assunto colocamos aqui algum exemplo da contextualização dos termos ameríndios já citados:

Curumim das dores do parto com panos quentes, atentando para poucos movimentos pélvicos. Urutú-quemoraê trás os panos, os esquenta e aplica em minha pélves. Após isso sempre rola um quim-quim-tum-tum, mas sempre atentantado para que não haja muitos movimentos pélvicos, se não, no final, é melhor que hajam mais panos quentes.”

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