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Aconteceu em Neander Town – Jurandir Castanha

Jurandir Castanha já foi considerado o maior dos maiores, a potência artística máxima deste enfadonho, porém inacabado século.

Nasceu numa exótica cidade, sem referencial geográfico confirmado, mas com longitude aproximada e semelhante a de Verdário Central, que dizem ser no Espírito Santo, Amém. Ainda mancebo, mudou-se com a família para Pinhabombadágua, num interior desses aí, onde começou a labuta como ex-lavador de louça e garçom. Foi uma fase difícil, contudo necessária para seu desenvolvimento. A ausência de Manolo, seu cão companheiro de raça indefinida, ainda trazia amargura e desconstruções emocionais oscilantes. Foi nesse período que aprendeu a desenhar, mesmo que sem jeito, mas o suficiente para empolgar um professor de desenho e tatuador local, que lhe deu uma chance no ramo.

Em 1956, já como ex-assistente de tatuador, Jurandir ingressou na Universidade de Artes Cênicas de São José das Tramóias, onde cursou até o terceiro bimestre. Sem bolsa de estudos e com mau comportamento evidente, foi convidado a se retirar definitivamente do Campus e recebeu um convite para atuar na sua primeira peça teatral, “Eurípedes, ascensão e queda”, baseada numa antiga e desconhecida obra de Serellepidus, o centurião trapalhão da Galiléia.

Mesmo com a péssima atuação inicial, Jurandir seguiu estudando dramaturgia. O reconhecimento veio em 2001, numa odisséia... Dessa vez na televisão. Virou celebridade no dia seguinte a noite de estréia numa novela da época (sem registro de título), sob os quentes holofotes, flashes inquietantes, até sapinho pegou de um dos milhares de microfones que encostaram propositalmente em sua boca. Ficou assustado, assombrado, atemorizado... Decidiu se disfarçar.

A tática de Jurandir foi criar um personagem para fugir dos paparazzi. Funcionou até demais. Entorpecido pela atuação intensa, não conseguiu voltar ao normal e as conseqüências foram desastrosas, sendo demitido da emissora e brutalmente esquecido pela mídia. Além disso, ainda perdeu a identidade, CIC e carteirinha de doador de órgãos.

Hoje, liberado do tal personagem de tantos anos, continua com os disfarces... Só que agora em curtas temporadas. O dessa semana, por exemplo, é do neurastênico vendedor de libretos pirata, que sobrevive das apresentações em ajardinados e praças populares... Por cem reais, sem badalação e sem sentido.


Veja o que mais Aconteceu em Neander Town.

Comentários

Hugo disse…
O Jurandir aí passou mais de 40 anos para ser reconhecido. Trigicomédia muito boa!
Zé Celso disse…
A culpa toda é dos paparazi
Anônimo disse…
adorei

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